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http://191.252.194.60:8080/handle/fdv/1996| metadata.dc.type: | Dissertação |
| Título : | Cosmovisões originárias para outro fim do mundo: a importância da participação efetiva dos povos indígenas latino-americanos na construção do regime internacional climático |
| metadata.dc.creator: | Braga, Ana Júlia Bof |
| metadata.dc.contributor.advisor1: | Bussinguer, Elda Coelho de Azevedo |
| metadata.dc.contributor.referee1: | Moreira, Nelson Camatta |
| metadata.dc.contributor.referee2: | Taroco, Lara Santos Zangerolame |
| metadata.dc.description.resumo: | As mudanças climáticas são reflexos dos danos causados pelas atividades humanas, que, especialmente pela emissão de gases de efeito estufa, desequilibraram a Natureza ao ameaçarem seus limites. O pensamento antropocêntrico, que justificaria a exploração da Natureza pelo humano ao seu benefício, foi construído a datar da Modernidade, fundamentada na racionalidade. Diante disso, pretendemos analisar se as cosmovisões dos povos originários latinoamericanos estão sendo empregadas na construção do Regime Internacional do Clima. Segundo entendimento de Enrique Dussel, a colonização da América Latina possibilitou o surgimento da Modernidade não apenas como período histórico, mas como uma nova hegemonia do poder eurocêntrica. Por meio do pensamento de Aníbal Quijano, compreendemos que o colonialismo oportunizou a hierarquização, em que o homem branco seria civilizado, enquanto as demais raças seriam bárbaras, sendo aceitável, nessa lógica, que a cultura mais civilizada se impusesse sobre as incivilizadas, situação que se perdura pela colonialidade do poder. A transformação dos povos originários latino-americanos no Outro justificou o etnocídio, apagando culturas e saberes, o que inclui a compreensão da humanidade como integrante da Natureza. Nesse escopo, Walter Benjamin nos permite reconhecer que a Modernidade iniciou a ideia do progresso irrefreável, produzindo vítimas apagadas da história pela historiografia tradicional, escrita pelos vencedores. Desde então, está enraizado no nosso pensamento a racionalidade exploratória, base da construção do sistema capitalista. Como consequência da exploração de recursos naturais, nos encontramos diante da crise climática, agravada por estarmos presos a ideias formuladas a partir de um sistema que depende dessa exploração. A teoria de Karl Marx entende que o capitalismo só sobrevive por meio da produção contínua para acumulação de riquezas de uma pequena parcela social, do consumo e da divisão do trabalho, com vistas ao crescimento econômico. Portanto, é mantedor de desigualdades e hierarquias como pressuposto. Trazendo para a realidade do Regime Internacional do Clima, metas e objetivos desenvolvidos têm sido insuficientes para adaptação e mitigação, pois estão centradas no mercado e no desenvolvimento. Quando ousadas, não são cumpridas pelos países e outros atores fundamentais para a mudança da conjuntura. Os saberes dos povos originários, que propõem outro modelo de sociedade, são comumente esquecidos e, apesar de atualmente participarem mais das discussões, sua participação ainda não pode ser considerada plena por terem pouca influência decisória. Por isso, propomos “escrever a história a contrapelo”, como expressa Benjamin, para retornar aos saberes ancestrais desses povos sobre a Natureza, com o intuito de formarmos um novo Regime, que trate seus conhecimentos como válidos para orientar a humanidade para outro futuro. Uma vez que visamos a transformação da realidade a partir da crítica sobre ela, e empregamos uma visão crítica na base teórica, a dialética marxista foi usada como ponto analítico da argumentação, ancorada na decolonialidade para firmar um posicionamento emancipatório, visando que este mundo que conhecemos, não seja extinguido por uma lógica destruidora imposta. |
| Resumen : | Climate change is a reflection of the damage caused by human activities, which ,particularly through the emission of greenhouse gases, have destabilized Nature by threatening its limits. Anthropocentric thought, which would justify the exploitation of Nature by humans for their own benefit, was constructed beginning in Modernity and grounded in rationality. In light of this, we aim to analyze whether the worldviews of Latin American Indigenous peoples are being employed in the construction of the International Climate Regime.According to Enrique Dussel, the colonization of Latin America enabled the emergence of Modernity not merely as a historical period but as a new Eurocentric hegemony of power. Through the thought of Aníbal Quijano, we understand that colonialism facilitated a process of hierarchization in which the white man was regarded as civilized, while other races were deemed barbaric. Within this logic, it became acceptable for the supposedly more civilized culture to impose itself upon those considered uncivilized, a condition that persists through the coloniality of power. The transformation of Indigenous peoples into the “Other” justified ethnocide, erasing cultures and knowledge systems, including the understanding of humanity as an integral part of Nature.Within this framework, Walter Benjamin allows us to recognize that Modernity inaugurated the idea of unrestrained progress, producing victims erased from history by traditional historiography. Since then, an exploitative rationality has become deeply rooted in our thinking, forming the basis for the construction of the capitalist system. As a consequence of the exploitation of natural resources, we now face the climate crisis, further aggravated by our entrapment in ideas formulated within a system that depends on such exploitation. Karl Marx’s theory holds that capitalism survives only through continuous production aimed at the accumulation of wealth by a small segment of society, as well as through consumption and the division of labor, all oriented toward economic growth. Therefore, it inherently sustains inequalities and hierarchies as structural premises.Applied to the reality of the International Climate Regime, the targets and objectives that have been developed have proven insufficient for adaptation and mitigation, as they remain centered on market mechanisms and development paradigms. When more ambitious goals are proposed, they are often not fulfilled by countries and other key actors necessary for transforming the current situation. The knowledge systems of Indigenous peoples, which propose an alternative model of society, are commonly overlooked. Although these peoples currently participate more actively in discussions, their participation cannot yet be considered full, given their limited influence in decision-making processes.For this reason, we propose to “brush history against the grain,” as Benjamin suggests, in order to return to the ancestral knowledge of these peoples regarding Nature, with the aim of forming a new regime that treats their knowledge as valid guidance for directing humanity toward a different future. Since we seek to transform reality through critical reflection upon it, and employ a critical perspective as the foundation of our theoretical framework, Marxist dialectics was used as the analytical basis of the argument. This approach is anchored in decoloniality to establish an emancipatory position, seeking to ensure that the world as we know it is not extinguished by an imposed destructive logic. |
| Palabras clave : | Mudanças climáticas Povos indígenas Regime Internacional do Clima |
| metadata.dc.subject.cnpq: | CNPQ::CIENCIAS SOCIAIS APLICADAS::DIREITO |
| metadata.dc.language: | por |
| metadata.dc.publisher.country: | Brasil |
| Editorial : | Faculdade de Direito de Vitoria |
| metadata.dc.publisher.initials: | FDV |
| metadata.dc.publisher.department: | Departamento 1 |
| metadata.dc.publisher.program: | PPG1 |
| Citación : | BRAGA, Ana Júlia Bof. Cosmovisões originárias para outro fim do mundo: a importância da participação efetiva dos povos indígenas latino-americanos na construção do regime internacional climático. Orientador: Elda Coelho de Azevedo Bussinguer. 2026. 196 f. Dissertação (Mestrado em Direitos e Garantias Fundamentais) - Programa de Pós-Graduação em Direitos e Garantias Fundamentais, Faculdade de Direito de Vitória, Vitória, 2026. |
| metadata.dc.rights: | Acesso Aberto |
| URI : | http://191.252.194.60:8080/handle/fdv/1996 |
| Fecha de publicación : | 7-abr-2026 |
| Aparece en las colecciones: | Dissertações |
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